Você sabia que somos a média das 5 pessoas com quem mais convivemos?

Assim como diz o ditado popular “Diga-me com quem tu andas que direi quem tu eres”, dizia o palestrante motivacional Jim Rohn: “Você é a media das 5 pessoas com quem passa mais tempo.”

Até então, isso não passava de pura “filosofia”, até que um pesquisador resolveu fazer algumas investigações científicas sobre o tema.

Moran Cerf é um professor de neurociência e negócios da Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, e ele revela alguns fatos interessantes sobre o comportamento humano.

Ele mostra através de seus estudos sobre a sincronia dos impulsos cerebrais entre seres humanos, que os cérebros conversam entre si sem que percebamos.

Por mais de uma década, Cerf investiga como as pessoas tomam decisões, não só do ponto de vista comportamental, mas também utilizando eletroenfacelogramas que mostram as zonas do cérebro que se iluminam quando as pessoas reagem a diferentes estímulos.

E o que se tem descoberto é que, quando as pessoas passam tempo juntas, suas ondas cerebrais começam a se parecer e, em alguns casos, podem chegar a ser idênticas.

Entendendo um pouco sobre os estudos:

Em uma das pesquisas, pessoas expostas a determinados comerciais de filmes geraram padrões similares de atividades em seus cérebros, em uma espécie de “sincronia elétrica” que pode ser observada na tela do computador.

“Duas pessoas que assistem aos mesmos filmes, leem os mesmos livros, que compartilham as mesmas experiências e que, além disso, conversam entre si, começam, após duas semanas, a mostrar padrões comuns em linguagem, emoções e até pontos de vista”, explica Cerf.

Por isso, segundo o pesquisador, a melhor decisão que se pode tomar na vida é escolher corretamente as pessoas que te rodeiam.

“As pessoas mais próximas a você têm um impacto na maneira como você se relaciona com a realidade maior do que se pode perceber ou explicar. E uma das consequências disso é se tornar parecido com essas pessoas”, diz o neurocientista.

“Se você escolhe um companheiro ruim e passa dez anos com ele, essa decisão vai ter um impacto significativo (na sua personalidade) e na sua vida.”

Interpretação da Realidade e Tomada de Decisões

Em seus estudos sobre a forma como nossas escolhas afetam a nossa satisfação pessoal, Cerf distingue vários níveis.

Ele estuda as decisões que tomamos em um determinado momento, como essas decisões são lembradas a longo prazo e como as comparamos com as escolhas de outras pessoas.

O pesquisador diz que algumas pessoas têm grande habilidade para inventar narrativas ou contar histórias positivas sobre as decisões que tomaram.

“Tem gente que teve experiências muito difíceis, mas possuem essa incrível habilidade de usar o cérebro para reinventá-las ou reinterpreta-las. É uma maneira de sintetizar uma experiência particular ou a sua visão do mundo”, afirma Cerf.

Como Reinterpretar a Realidade Para Ser Mais Feliz

Como podemos treinar o cérebro a fazer essa reinterpretação positiva de experiências ruins?

“É difícil começar a reinterpretar a realidade de uma determinada maneira quando você nunca fez isso antes. A ferramenta mais eficaz é rodear-se de pessoas que possuem essa habilidade”, aconselha o neurocientista.

“Se você passa tempo com essas pessoas, vai começar, progressivamente, a se sentir mais feliz. Vai acabar vendo o mundo de uma maneira mais parecida”, completa.

“É algo que vai ocorrer naturalmente, não é preciso fazer conscientemente. Essa é a vantagem do alinhamento cerebral.”

Considerações

Devemos tomar cuidado quanto à essas pessoas que buscamos estar próximos (as).

Você pode entrar em um estado de ansiedade e profundo descontentamento aonde quer que esteja, pois pode não encontrar essas 5 pessoas que estejam à altura do que você busca, enquanto você não encontrar contentamento dentro de você.

O que cabe a nós é estabelecermos um ‘filtro mental’ para que possamos identificar qualidades que queremos nas pessoas que estão ao nosso redor, e assim decidir o que é interessante para absorvermos.

Ter uma visão crítica ajudará certamente a construir um modelo comportamental sobre aquilo que deseja.

Se você busca por otimismo por exemplo, e tem um grande amigo que é gentil, mas em contrapartida é pessimista, fique com a qualidade dele e busque o otimismo em outras pessoas.

Todos temos qualidades e defeitos, e da mesma forma que às pessoas que estão à nossa volta influencia em nossa vida, aquilo que focamos também pois tende-se a se expandir.

Se você busca uma solução, certamente irá encontrar, e se buscar por um problema, também o encontrará.

Adaptação da publicação da BBC Brasil

Dr. Cristiano Miranda

Cardiologista pós-graduado em Medicina Esportiva e Psicologia, e idealizador do programa Cardiocoach para melhora de desempenho esportivo e da qualidade de vida.